📜 Origens e formação

A história de Jatobá, no Sertão de Pernambuco, começa muito antes da criação do município. A região era tradicionalmente ocupada por povos indígenas do médio São Francisco, com presença marcante do povo Pankararu, cuja Terra Indígena se estende por áreas dos atuais municípios vizinhos. O ambiente de Caatinga e a proximidade com o rio São Francisco moldaram modos de vida baseados na pesca, na coleta, na pecuária extensiva e em circuitos de trocas inter-regionais desde o período colonial.

📜 Sertão do gado e fronteiras coloniais

Entre os séculos XVII e XVIII, o Sertão do São Francisco integrou o chamado “ciclo do gado”, quando currais e fazendas avançaram pelos vales e chapadas interiores para abastecer de carne e couro a zona da cana no litoral. Nesse processo, formaram-se caminhos de tropeiros, povoados ribeirinhos e pontos de passagem que, com o tempo, dariam origem a núcleos distritais subordinados a vilas mais antigas da região, como Tacaratu e Petrolândia.

📜 O São Francisco como eixo de transformação

Ao longo do século XX, o Rio São Francisco ganhou centralidade nas políticas de integração do semiárido. Projetos de irrigação, abertura de estradas e, especialmente, a expansão da infraestrutura hidroenergética passaram a reconfigurar a economia e o povoamento do entorno. A presença da Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) trouxe técnicos, trabalhadores e investimentos, criando vilas operárias, serviços e um mercado local mais dinâmico.

📜 A barragem de Itaparica e o reordenamento territorial

A construção da Usina Hidrelétrica de Itaparica (posteriormente denominada Luiz Gonzaga), na segunda metade dos anos 1980, foi um marco decisivo. O enchimento do reservatório alterou paisagens, deslocou populações ribeirinhas e impulsionou a criação de novos assentamentos planejados e áreas de reassentamento irrigado. Nesse contexto de reordenamento territorial, ganharam força povoados no entorno da vila operária e dos eixos de acesso à barragem, o que pavimentou o caminho para a emancipação político-administrativa de Jatobá no início dos anos 1990.

📜 Emancipação e identidade municipal

Criado como município a partir de desmembramento de áreas vizinhas, Jatobá consolidou-se com o nome que evoca a árvore jatobá (Hymenaea courbaril), comum na flora brasileira e símbolo de resistência no semiárido. A nova sede municipal reuniu equipamentos públicos, comércio e serviços, tornando-se referência para comunidades ribeirinhas, áreas de reassentamento e aldeias indígenas próximas. Desde então, a administração pública, o setor de serviços, o comércio local e atividades ligadas ao reservatório estruturam a vida econômica.

📜 Cultura, povos originários e modos de vida

A convivência entre tradições sertanejas e indígenas marca a cultura local: festas populares, forrós, vaquejadas, artesanato e culinária ribeirinha compõem o calendário. A presença Pankararu nas proximidades, com seus rituais, arte e formas próprias de organização, confere maior diversidade cultural ao território e reforça a historicidade anterior à colonização.

📜 Campo, água e cidade

A paisagem socioeconômica de Jatobá articula agricultura familiar (incluindo áreas irrigadas em projetos vinculados ao São Francisco), pesca artesanal, pequenos comércios e prestação de serviços ligados à barragem e ao poder público. O clima semiárido e a vegetação de Caatinga colocam desafios recorrentes de convivência com a seca, ao mesmo tempo em que o reservatório cria oportunidades em irrigação, turismo de natureza e lazer.

📜 Desafios e perspectivas

Desde a emancipação, o município enfrenta desafios típicos do interior semiárido: gestão de recursos hídricos, geração de emprego e renda, melhoria de infraestrutura urbana e acesso a serviços de saúde e educação. Por outro lado, a posição estratégica às margens do São Francisco, a herança da infraestrutura energética, o potencial de agropecuária irrigada e a riqueza cultural indicam caminhos de desenvolvimento sustentável, com valorização dos saberes locais e respeito aos direitos dos povos originários.